sobre presenças e ausências, sobre saudades

tenho sido marcado pelas saudades que moram em mim

várias são essas saudades, todas presenças marcantes de muito marcantes ausências

de mim, em mim…

saudades dilacerantes
desconcertantes, porém
dúbia e inexplicavelmente
re-vigor-antes

sigo e busco – a despeito e por causa delas – chegar ao fim e descobrir-me – muito provavelmente – de volta ao início,

de tudo, de mim,
reencontrar-me, comigo, com o Eterno

movido por aquilo que nem ouso mais explicar
apenas prossigo

mas já é noite. e descansar se faz necessário
hoje

Sobre a vida

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Esperando
Gabriela Tinoco

Passamos a vida esperando.
É clichê, eu sei. Mas, passamos a vida esperando, por mais clichê que seja.
Passamos a vida esperando que tudo que pareça clichê ou conto de fadas não seja.
Passamos a vida esperando que as coisas sejam fáceis como eram antes.
Passamos a vida esperando que nossas desavenças se resolvam, ou que pelo menos as esqueçamos.
Passamos a vida esperando a hora certa pra dizer eu te amo pra alguém, pra ligar, pra mandar uma mensagem.
Passamos a vida esperando que não tenhamos problemas de saúde.
Passamos a vida esperando ter coragem.
Passamos a vida esperando alguém que nos faça sentir especial.
Passamos a vida esperando que nossos amigos reconheçam o que fizemos, fazemos e sempre faremos por eles.
Passamos a vida esperando que ‘tudo volte a ser como era’.
Passamos a vida esperando que aquela história de amor seja nossa.
Passamos a vida esperando que alguém perceba que nos perdeu.
Passamos a vida esperando não perder ninguém.
Passamos a vida esperando não sofrer, e, se sofremos, passamos a vida esperando esquecer.
Passamos a vida esperando que os dias não sejam cinzas.
Passamos a vida esperando sucesso e tranquilidade financeira.
Passamos a vida esperando que nossos pais se orgulhem de nós por motivos reais.
Passamos a vida esperando o reencontro.
Passamos a vida esperando que ‘se coloquem no nosso lugar’, ou ‘vejam o meu lado’.
Passamos a vida esperando aquela palavra que não foi dita naquela ocasião.
Passamos a vida esperando aquele beijo perdido. Aquele abraço caloroso.
Passamos a vida esperando a justificativa do porquê alguém nos deixou.
Passamos a vida esperando que as pessoam sejam gentis. Que peçam desculpas.
Passamos a vida esperando que o outro não estrague nosso dia. Ou o trabalho. Ou a rotina.
Passamos a vida esperando. Esperando. Esperando.
Passamos a vida esperando o encanto da vida.
Estamos esperando a vida passar.

Hoje sou apenas saudade

 

Foto: Alisson Tato

Foto: Alisson Tato

Hoje sou apenas saudade. 100% saudade…
Saudade daquilo que vivi. Porém, saudade maior daquilo que nunca cheguei a viver…
Saudade daqueles que partiram e deixaram um vazio impossível de ser preenchido. Mas saudade maior daqueles que nunca partiram, e que conseguem ser – contraditoriamente – presenças ausentes;
saudade dos amigos de longe, de perto, que estão longe, que estão longe mas conseguem estar perto, que estão perto mas conseguem estar longe!
Saudade daquele que fui e gostei de ser, saudade daquele que gostaria de ser, mas jamais serei…
Saudade do Eterno,
e da minha – inesgotável – contradição!

Sobre a ressurreição – e momentos que se tornam eternos

Sobre momentos que se tornam eternos

Sobre a ressurreição – e momentos que se tornam eternos

Nesta Semana Santa, compreendi de uma forma bem nova a mensagem da ressurreição. Foram dias em que a Esperança ressurgiu em mim. Tomou conta do meu coração, renovou-o. Nesses dias que antecederam a Páscoa, o Eterno renasceu em mim. No encontro. Mais que encontro, na verdade: reencontro. Há coisas que, verdadeiramente, apenas o coração compreende.

Por meio de laços de Amor humano, um renascimento se deu em mim. Braços, abraços, risos, lágrimas, laços. Fui atraído. Sinceridade, verdade. Ouvi. Senti. Conheci e – ao mesmo tempo – reencontrei.

Esperança. Renascimento. Em mim. Em nós. Páscoa. Por meio de nós. Sacrifício. Ressurreição. Por nós.

Gratidão. Em mim!

Ao Eterno, a quem me atraiu…

Descubro quem eu (não) sou

Foto: Alisson Tato

Foto: Alisson Tato

Meu desafio, agora, é tentar perceber quem eu sou. A respeito de quem não sou, estou a cada dia mais convicto. Minha tarefa é, portanto, perceber por meio da negação aquele que eu posso ser. Um desafio, como já disse.

Não sou, para mim é óbvio, aquele que a grande maioria das pessoas (que conheço ou não) esperam de mim. Há muito reconheço não dar conta das expectativas que depositam sobre meus ombros. Aprendi a aceitar minhas limitações em relação ao outro
e a mim mesmo. Sem pesos ou obrigações. Sem culpas, acima de tudo.

Por tempo demais, usei (ou perdi) minhas energias tentando sustentar a imagem que os que me cercam tinham de mim. Pura tolice. Logo percebi que sustentar essa imagem não satisfazia ninguém, apenas gerava mais expectativas. Um ciclo doentio – e inesgotável.

Consciente disso, busco agora invadir minha própria alma. Percorrer e conhecer os espaços do meu coração que podem revelar aquele que sou. Trajetória que faço sozinho, sem pressa, sem cobranças, sem qualquer prazo de conclusão. Quero dedicar-me a me conhecer enquanto eu ainda por aqui viver.

O que tenho descoberto tem me feito um bem difícil de ser descrito. Não pela ausência de coisas reprováveis em meu ser, mas justamente por perceber que o mal que me habita é diferente daquele que tentam atribuir a mim.

Assim como o bem.

Com a certeza de não poder ser “bom” como muitos esperam que eu seja, vêm o alívio e a alegria de perceber que o Bem que habita em mim é muito maior que eu. E me liberta da minha própria escravidão: a escravidão do eu!