Sobre o falar-dizer

Rafael em Pirapora (Carnaval, 2012)

Foto: Kleber Bassa

hoje acordei com muita vontade de escrever. apenas um mero capricho. porque, hoje, não tenho nada a dizer… aí me lembrei de um sem-número de pessoas que escrevem sem muito ou nada dizer. é tarefa difícil, é claro, mas ainda sim possível.

o que eu disse até aqui, por exemplo? quase nada. o que, para mim, já pode ser considerado um ato muitíssimo bem-sucedido, considerando-se a profundidade com que me entrego e me revelo nas palavras costumeiramente. basta procurar alguns de meus escritos recentes para perceber isso.

talvez – e penso nisto somente agora – derive de tais expressões recentes, e intensas, a minha vontade instintiva de escrever mas, ao mesmo tempo, pouco dizer.

sim… escrever me é atributo essencial para a sobrevivência. enquanto falar-dizer gera em mim, por vezes, imensas dores, fruto da incompreensão daquilo que eu falo-digo – e escrevo!

então… talvez, apenas talvez, hoje seja tempo de me calar. não falar-dizer, nem mesmo escrever. apesar de já ter escrito. é… não sei… talvez…

Por que eu escrevo

Há alguns dias, postei no meu perfil do Facebook a seguinte frase: “Em nossos dias, há um consenso social contra a tristeza. Ser triste é imoral, quase um crime, absurdo, inaceitável. É preciso ser feliz!” Ela havia sido escrita há cerca de um mês, como introdução de um texto que eu pretendia escrever sobre a “tristeza”, mas que não consegui desenvolver. Por isso, decidi postar apenas a frase. Minha atitude foi parecida com a de Rubem Alves: ele tinha um caderno de anotações que pretendia desenvolver. Em 2008, decidiu publicá-las no livro “Ostra feliz não faz pérola”, da forma em que se encontravam, por temer não ter tempo para desenvolver as ideias e elas se perderem no tempo.

A ideia central do livro do Rubem é a da dor como propiciadora de criatividade, movimento inerente ao processo de criação daquilo que é belo, aquilo que é arte. Assim como a ostra, que produz a pérola no processo de se proteger contra os grãos de areia que a ferem, o artista só produziria beleza por meio da sua própria dor. Daí a certeza: os maiores artistas são pessoas tristes.

Não sei se é regra, mas vivo para saber, no corpo e na alma, dessa experiência. Em 2012, tenho escrito bem mais do que em 2011, que, de nenhuma forma coincidentemente, foi um ano muito melhor. O ano passado me trouxe algumas dores muitíssimo fortes, mas, a despeito delas, conseguiu ser um dos melhores anos da minha história, se não o melhor. Já 2012, ah, 2012 já começou carregado de dor, de amargura, de incerteza, de estreiteza. Caminhos que, de repente, se me tornaram tortuosos, íngremes, estreitos.

A minha forma de lidar com isso é escrever. Quanto mais estreito o caminho se torna, menos bagagem eu consigo carregar. Nesse movimento de abandono, resta-me a força suficiente para manter comigo o papel e a caneta. E, assim, escrever. Colocar a dor nas palavras, numa tentativa talvez desesperada de transferir a dor que me dilacera para o papel. Que ela o rasgue, assim como rasga o meu coração.

Muitos têm reclamado, comentado e se preocupado com a minha tristeza. Algumas dessas intervenções, confesso, têm o poder apenas de me causar mais tristeza. Alguns dizem que sofrem ao me ler, que têm medo de mim. E eu começo a me questionar: é justo que, alegando amor, alguns me peçam para evitar a única alternativa a que recorro na tentativa de amenizar a minha dor? Se eu falasse, seriam obrigados a me ouvir. Quando escrevo, a leitura é opção, às vezes até convite. Mas mesmo o convite é democrático: pode ser aceito ou não.

Alguns não entendem as minhas linhas, e falam, e machucam. Outros compreendem a minha dor, e falam, e me tocam. Outros, ao compreendê-la, apenas se calam, em reverência. Esses tocam-me mais ainda, mesmo que contraditoriamente eu nem sempre os (re)conheça! Mas há ainda um outro grupo: o daqueles que batem, com força, de forma cruel. A esses, deixo um recado:

Podem bater! Estou aqui pra isso. Mais forte do que NUNCA! Só pra reforçar: a despeito de todas as dores e pancadas que a vida me traz, agradeço a Aba, pelo Infinito Amor que insiste em me alcançar…

Passagem…

Alguns pediram que eu voltasse a escrever. Mas a maioria sequer percebeu que eu parei de escrever alguma coisa por aqui…

Alguns questionaram o motivo dessa interrupção.

A verdade é que eu mesmo não sei definir. Talvez o cansaço. Talvez a vontade de parar de me expor… Sim, talvez seja isso…

Quando comecei este blog, a ideia era apenas fazer dele um laboratório. No início, só falava de esportes e de política, coisas que me fascinavam – e que ainda me fascinam. Com o passar do tempo, a pessoalidade tomou conta disto aqui.

Poesia… A dor transformada em arte. Lágrimas metamorfoseadas em beleza (ou não!). A verdade é que nem sempre fui bem interpretado. E houve vezes em que não atingi o objetivo almejado. Mas isso nunca me preocupou.

O fato é que me cansei da blogosfera. Faz tempo que não acesso os blogs que antes faziam parte da minha rota diária de visitas.

Estou cansado da internet. Noto que as pessoas estão cada vez mais virtuais. E cada vez mais no pior sentido que esse vocábulo pode ter.

É tanta gente que, por aqui, derrama o inesgotável lixo que carrega dentro de si.

E isso é triste. E isso me cansa.

Com tanta causa “pró” pra se envolver, por que o ser-humano ainda prefere levantar bandeiras “contra”? Lamentável!

Fugindo de celeumas desnecessárias, antecipo que não pretendo comprar as celeumas produzidas por terceiros. Seja aqui, seja lá fora…

A verdade é que…

…percebo que já não tenho mais paciência pra um bocado de coisas personificadas e pessoas coisificadas!

Pausa

Há momentos na vida em que a melhor alternativa é descansar. Pausas são sempre necessárias. Os motivos podem variar: cansaço, indecisão… ou sabe-se lá qual.

Para mim, aqui no contradição™, chegou tal momento. Não sei por quanto tempo, mas é hora de parar.

Inicialmente, a ideia era encerrar o blog. Mas, como posso voltar em algum momento, optei por uma pausa.

Não deixei de ser contraditório, mas resolvi guardar minha contradição aos poucos que me acompanham, pessoalmente, na Vida. E são menos os que têm me acompanhado em 2010.

Quando sobrar tempo no meu mundo real, pode ser que eu passe por aqui… Pelo menos pra gritar um pouquinho mais da minha contradição.

Por enquanto, estou por aí… na Vida, no mundo… Quem sabe a gente não se encontra lá fora…

Obrigado aos que estiveram – e ainda estão – comigo!

Até!

Silêncio!!!

Preciso escrever algo que está em mim! Mas… não consigo!

Sim, começo com a confissão: apesar do desejo de expor, em palavras, aquilo que está dentro de mim, não encontro as frases certas. Nem mesmo sei se as palavras para tal ‘expressão’ existem!

Sinto-me perdido. Preciso falar! Mas… não sei o que falar… nem mesmo como falar…

E é indescritível a dor que isso me provoca. Não tendo como tirar de dentro de mim aquilo que exige sair, sinto-me sufocado.

Vãs tentativas de falar.

Tão vãs quanto as tentativas de escrever.

Gritar, nem pensar! Não é digna de confiança uma pessoa que precisa de escândalo para se fazer acreditar.

Preciso aceitar a incapacidade de comunicar. E entender que, uma vez mais, chegou a hora do – tão frutífero e dolorido – silêncio!

Silêncio!!!

Continuo descobrindo no silêncio… E na saudade, muita saudade!