Lembranças de um grande homem

Da esquerda para a direita, Márcio, Marcinho, Leila e Caio

Da esquerda para a direita, Márcio, Marcinho, Leila e Caio

Hoje, olhando alguns arquivos antigos, encontrei essa matéria escrita em 2008, como trabalho da graduação em jornalismo. Uma tentativa de perfil com um homem que foi/é referencial para mim e um dos maiores incentivadores que tive na vida: meu tio Márcio, um dos bons que nos deixou muito cedo. Mas que muito aqui deixou… Decidi publicá-la, sem edição, mesmo sabendo que, seis anos depois, mudaria muita coisa no texto (que não é dos melhores). Peço, antecipadamente, perdão pelos deslizes.

Família e determinação são as bases do sucesso de empresário mineiro

Márcio Antônio Silva, 48, estava sentado em sua mesa, em frente a um computador pessoal, lendo alguns e-mails, enquanto conversávamos, dividindo a sua atenção entre a entrevista e o trabalho. Sua empresa, com três anos de idade, fica no bairro Prado, região oeste de Belo Horizonte. Mas é raro encontrá-lo lá. Márcio diz que é importante visitar os clientes. “O relacionamento com os clientes é a base do sucesso de uma empresa”, ressalta o “gestor” da Construsite Brasil, título com o qual prefere ser identificado. Em sua infância, a internet ainda era uma realidade muito distante. Em meio às brincadeiras de rua e às frequentes peladas foi que ele cresceu. O contato com a tecnologia, que hoje é a base de seu trabalho, veio muitos anos mais tarde, por volta dos 32 anos de idade, após muitas outras experiências profissionais. “Meu primeiro emprego foi de chaveiro. Trabalhava pro meu tio”, conta com orgulho. “As crianças de hoje crescem em frente ao computador. Na minha infância eu corria atrás da bola”, lembra Márcio. Apaixonado por futebol, é cruzeirense, assim como seus dois filhos, Caio, 14, e Márcio Vinícius, 19, dos quais fala sempre com muito orgulho e um imenso sorriso no rosto. “Joguei bola até os 14 anos, quando descobri algo melhor, que é mulher”, afirma. Na adolescência, era muito namorador. “Sempre joguei no atacado, nunca no varejo”, brinca. Aos 16 anos conheceu Leila, um ano mais nova. “Só voltei a jogar bola depois de casado”, lembra. Sobre o casamento, Márcio diz que eram tantas garotas em sua cola que foi difícil escolher. “Mas escolhi bem demais”, completa.

Há três anos, quando decidiu largar um emprego estável, onde recebia um salário “confortável”, para investir no sonho de uma empresa de construção e hospedagem de sites, o apoio da família foi crucial. “Tivemos que mudar um pouco o nosso estilo de vida, já que não teríamos mais uma renda certa no fim do mês”, conta sua mulher Leila. “Ele não queria mais trabalhar para os outros”, explica. Casados há mais de 24 anos, ambos dizem que não se arrependem em nenhum momento. O segredo de tanto tempo de união, segundo Márcio, “é aprender calar em muitos momentos”.

Ao falar dos filhos, o orgulho do pai torna-se evidente. “O Caio é um menino acima da média”, afirma. Para ele, o filho caçula, companheiro de Mineirão nos jogos do Cruzeiro, é muito “diferente e inteligente”, além de ter pontos de vista bastante definidos. Márcio Vinícius, o “Marcinho”, cursa Ciências da Computação, serve o Exército e ainda faz manutenção e outros serviços relacionados à computação. “Ele é um cara totalmente centrado e responsável”, conta o pai, orgulhoso. Sobre o Exército, acredita que a experiência vai ajudar na formação do filho, aumentando sua responsabilidade e disciplina. “Depois disso, ele está preparado para ter qualquer chefe na vida”, afirma.

Se, por um lado, o pai coruja orgulha-se ao falar dos filhos, a emoção dos garotos ao falar de Márcio também é visível. “Véi [sic], meu pai é um guerreiro, tá ligado? [sic]. Ele nasceu pobre e subiu na vida”, conta Caio, que não esconde a admiração que sente pelo pai. Devido à falta de tempo, Márcio Vinícius só foi encontrado no celular. “Ele é fundamental pra mim, me instrui, me aconselha”, conta . Para ele, o pai é um exemplo, pela garra, pela determinação, pela vontade e pelos valores que transmite a todos com quem convive. “Ele é meu herói, meu incentivo para correr atrás dos meus sonhos”, completa.

Com a Construsite Brasil já realidade, há dois anos Márcio teve a idéia de um projeto inovador, o site de buscas TodoBH. Voltado para buscas comerciais em Belo Horizonte e na região metropolitana, o serviço filtra os resultados, evitando apontar sites sem relação alguma com o que o usuário precisa. “Eu procurava em alguns sites de busca restaurantes de Belo Horizonte e apareciam coisas que não tinham a ver com o que eu queria”, explica. Foi daí, segundo ele, que surgiu a idéia do site local, que possui mais de cinco mil empresas cadastradas. “Conseguimos tudo isso sem nenhuma campanha de divulgação”, afirma.

Márcio e Leila consideram que a empresa ainda é um bebê. De pequeno porte, eles apostam que os resultados já têm chegado. Frutos de muito trabalho, esforço e dedicação. “Ele é muito determinado, positivo, otimista e contagia a todos”, diz a mulher, que se considera um ponto de equilíbrio na relação, já que, para ela, ele é um pouco precipitado nas decisões. Mesmo assim, ela não tem dúvidas de que o marido acertou na decisão de correr atrás do seu sonho. Que não é recente, lembra Márcio. A vontade de trabalhar com internet surgiu no primeiro contato, em 1992. “Foi amor à primeira vista”, define. Ele já foi vendedor de automóveis e de consórcios, dono de um barzinho na Savassi e, recentemente, professor de um curso de pós-graduação na área de planejamento e marketing. Depois de tantas experiências, Márcio garante que não se arrepende da aposta na Construsite Brasil. E Leila, que topou se casar com ele e morar por mais de sete anos em São Paulo, onde ele se graduou em Ciências Biológicas, também não mostra nenhum desapontamento. “Está valendo muito a pena”, conclui orgulhosa.

Sobre a mais bela Lua

"Lua linda, vem brilhar!"

“Lua linda, vem brilhar!”

Sempre gostei da lua. De observá-la, em suas diferentes fases, compondo o céu junto às estrelas. Olhar e contar as estrelas também sempre foi uma forma, muito minha, de estar em contato com pessoas que, apesar de serem parte essencial de mim, não podem estar por perto. No momento, ou para sempre…

Faz uns anos, conheci a Luane. Uma dessas pessoas que, mesmo tendo parte essencial naquele que eu sou, por capricho ou desejo de Alguém, não pode participar, presencialmente, de todos os meus dias. Nem por isso, no entanto, deixa de ser presente. Não só presente, mas essencial para que eu consiga enfrentar a vida. Aos que estão fora, pode parecer bobagem, mas a verdade é que raríssimas são as pessoas que conseguem me devolver a mim. Devolver-me ao melhor que me habita e, consequentemente, afastar-me daquilo de pior que guardo aqui.

De algum tempo pra cá, e de forma mais forte neste 2014, observar a Lua no céu tornou-se uma forma de me sentir mais perto da minha Lua, que está em Salvador. Lembrar-me da minha Lua, que me salva do pior de mim e que me devolve para o melhor que – mesmo que seja pouco – ainda está por aqui. Que desperta, no meu coração, sentimentos que eu muitas vezes considerei ultrapassados. Sentimentos que passam pelo valor da amizade. Sinceridade.

Apesar de não ser comum naquilo que escrevo, aqui torna-se indispensável dirigir-me, de forma específica, a ela:

Lua, fugindo do clichê de desejar muitos anos de vida, desejo que você apenas viva. Viva bem. E feliz. Sendo sincera. Sendo totalmente oposta aos julgamentos que você já recebeu de possa receber. E incrivelmente maior do que o melhor do que nós, que te amamos, conseguimos expressar a respeito do ser-humano incrível e maravilhoso que você é.

Enquanto me fogem as palavras, que são menores que você, visita-me a alegria por ter te conhecido, tão verdadeira, neste mundo cheio de gente irreal e ruim.

Minha Lua, você enche de luz e brilho o céu – naturalmente nublado – do meu coração!

Hoje sou apenas saudade

 

Foto: Alisson Tato

Foto: Alisson Tato

Hoje sou apenas saudade. 100% saudade…
Saudade daquilo que vivi. Porém, saudade maior daquilo que nunca cheguei a viver…
Saudade daqueles que partiram e deixaram um vazio impossível de ser preenchido. Mas saudade maior daqueles que nunca partiram, e que conseguem ser – contraditoriamente – presenças ausentes;
saudade dos amigos de longe, de perto, que estão longe, que estão longe mas conseguem estar perto, que estão perto mas conseguem estar longe!
Saudade daquele que fui e gostei de ser, saudade daquele que gostaria de ser, mas jamais serei…
Saudade do Eterno,
e da minha – inesgotável – contradição!

Sobre a ressurreição – e momentos que se tornam eternos

Sobre momentos que se tornam eternos

Sobre a ressurreição – e momentos que se tornam eternos

Nesta Semana Santa, compreendi de uma forma bem nova a mensagem da ressurreição. Foram dias em que a Esperança ressurgiu em mim. Tomou conta do meu coração, renovou-o. Nesses dias que antecederam a Páscoa, o Eterno renasceu em mim. No encontro. Mais que encontro, na verdade: reencontro. Há coisas que, verdadeiramente, apenas o coração compreende.

Por meio de laços de Amor humano, um renascimento se deu em mim. Braços, abraços, risos, lágrimas, laços. Fui atraído. Sinceridade, verdade. Ouvi. Senti. Conheci e – ao mesmo tempo – reencontrei.

Esperança. Renascimento. Em mim. Em nós. Páscoa. Por meio de nós. Sacrifício. Ressurreição. Por nós.

Gratidão. Em mim!

Ao Eterno, a quem me atraiu…

Tristeza e inspiração

Eustáquio e Du, meus pais, minha inspiração (Foto: Hugo Rafael Rocha)

Eustáquio e Du, meus pais, minha inspiração (Foto: Hugo Rafael Rocha)

Sinto vergonha quase sempre pelos evangélicos, tenho que confessar. E tenho vergonha, antes de tudo, porque um dia fui um. E não é vergonha pouca não, nem pra fazer um texto. É vergonha mesmo. Forte. Intensa. Que causa tristeza. Muita tristeza.

Desde sempre, a contar do momento em que nasci, tenho contato com a igreja evangélica e com seus fiéis, coisa que, mesmo com relutância em vários momentos, também fui. Minha melhor (e maior) referência de fé, junto aos meus pais, era/é minha avó materna, vovô Eclair. Esses três, na certa, são também dos poucos (pra não dizer únicos) que nunca vi falando mal das pessoas. E também, por isso, escolhi fazer deles meu referencial.

Infelizmente – e fico realmente triste e infeliz com isso – a maioria esmagadora dos evangélicos com quem convivi na vida sempre gostou de falar mal do próximo. Se não gostavam, pelo menos é o que sempre pareceu. Lembro-me triste do prazer – mórbido – de várias pessoas ao narrar histórias de “pecados” e humilhações alheias, arrematando com um “estou te contando para você orar por ele/ela”. Pura hipocrisia. Mentira. Falsidade. Coisa triste.

Talvez não à toa, os dois pastores que mais respeito hoje sejam aqueles sobre os quais ouvi, inúmeras vezes, críticas surgidas nas conversas dos meus familiares. Por isso, de certa forma, devo a eles muito da minha fé, já que esses dois homens tanto me influenciaram e influenciam até hoje, para o bem, na vida.

A despeito de todos os maus exemplos, no entanto, nunca escolhi encarar a “igreja evangélica” como sendo a representação da mentalidade de pessoas que apenas julgam e excluem o próximo de acordo com o seu próprio padrão moral e preconceituoso, não raramente justificado por meio do texto bíblico. Mesmo que o que é ruim salte mais aos olhos, aprendi a admirar os bons exemplos que a fé evangélica me deu, em especial os já citados acima: meus pais e minha avó materna.

Essas três pessoas especiais nunca foram de julgar o próximo, nem mesmo de apontar seus defeitos, condenando-os “em nome de Deus”. Da vida deles, recebi apenas uma inspiração: o serviço ao próximo, em respeito e em Amor. É por meio da vida deles que decidi enxergar o Evangelho, pelo exemplo de dedicação como filhos – aos seus pais – e também como pais – a nós, seus filhos. Meus pais, muitas vezes criticados por não se envolverem mais nos ambientes da religião, nunca se privaram de ajudar quem precisasse. Os outros, os religiosos, sempre foram mais de falar. Assim, neles, ao invés do Evangelho, enxergo apenas uma crença carente de uma vivência que a transforme em realidade e verdade. Esperança…

É com pessoas que sabem as artes do amor – e não da religiosidade – que quero conviver e aprender daqui por diante. Dos mestres da religião, infelizmente eu quero distância. Gostaria de ter mais paciência, mas não consigo mais suportá-los. “Como suportar o insuportável?”, já perguntou meu irmão Henrique, com quem faço coro. Independentemente de credo, independentemente de qualquer critério ou padrão moral, quero dividir tempo apenas com quem sabe amar. E, assim, na convivência, tentar aprender um pouco dessa complexa arte de servir e amar…