Sobre o meu cansaço

Eu, cansado

Eu, cansado

Pior que o meu próprio cansaço é não saber de onde esse cansaço vem. Como lutar contra algo cuja fonte não se conhece? Eis um dos meus dilemas nos dias atuais. A verdade é que não tenho mais nem tentado lutar. O cansaço tomou conta de mim e fez-se um com aquele que sou.

Não é mais um problema externo. Tornou-se existencial. Essencialmente existencial.

Não há um entre os meus intermináveis dias em que não me sinta assim: intensa e extremamente cansado. Sem motivação. Sem ânimo. Sem vontade. De nada. Para nada.

A constatação é clara, até cristalina: preciso de descanso. Urgentemente.

Apenas não sei – ou não tenho – onde nem em Quem descansar.

 

Sobre setembro, outros meses e cansaço

Alisson Tato

Alisson Tato

Estranho é que eu estou sempre cansado. Mais estranho ainda é que não sei de onde vem o meu cansaço. Também é estranho que, por mais que eu descanse, o cansaço insista, persista, continue.

Dias e noites passam. E o cansaço segue. Inesgotável. Interminável. Uma sequência de dias que passam como numa repetição daquilo que já me esgota há algum tempo. E que parece não ter fim…

Setembro. Outubro. Novembro. Dezembro. Janeiro. Fevereiro. Março. Abril. Maio. Junho. Julho. Agosto. Desgosto.

Mas ainda é setembro. Logo chega a Primavera…

E eu estou cansado.

*Para o amigo Alisson

sobre presenças e ausências, sobre saudades

tenho sido marcado pelas saudades que moram em mim

várias são essas saudades, todas presenças marcantes de muito marcantes ausências

de mim, em mim…

saudades dilacerantes
desconcertantes, porém
dúbia e inexplicavelmente
re-vigor-antes

sigo e busco – a despeito e por causa delas – chegar ao fim e descobrir-me – muito provavelmente – de volta ao início,

de tudo, de mim,
reencontrar-me, comigo, com o Eterno

movido por aquilo que nem ouso mais explicar
apenas prossigo

mas já é noite. e descansar se faz necessário
hoje

Hoje sou apenas saudade

 

Foto: Alisson Tato

Foto: Alisson Tato

Hoje sou apenas saudade. 100% saudade…
Saudade daquilo que vivi. Porém, saudade maior daquilo que nunca cheguei a viver…
Saudade daqueles que partiram e deixaram um vazio impossível de ser preenchido. Mas saudade maior daqueles que nunca partiram, e que conseguem ser – contraditoriamente – presenças ausentes;
saudade dos amigos de longe, de perto, que estão longe, que estão longe mas conseguem estar perto, que estão perto mas conseguem estar longe!
Saudade daquele que fui e gostei de ser, saudade daquele que gostaria de ser, mas jamais serei…
Saudade do Eterno,
e da minha – inesgotável – contradição!

Descubro quem eu (não) sou

Foto: Alisson Tato

Foto: Alisson Tato

Meu desafio, agora, é tentar perceber quem eu sou. A respeito de quem não sou, estou a cada dia mais convicto. Minha tarefa é, portanto, perceber por meio da negação aquele que eu posso ser. Um desafio, como já disse.

Não sou, para mim é óbvio, aquele que a grande maioria das pessoas (que conheço ou não) esperam de mim. Há muito reconheço não dar conta das expectativas que depositam sobre meus ombros. Aprendi a aceitar minhas limitações em relação ao outro
e a mim mesmo. Sem pesos ou obrigações. Sem culpas, acima de tudo.

Por tempo demais, usei (ou perdi) minhas energias tentando sustentar a imagem que os que me cercam tinham de mim. Pura tolice. Logo percebi que sustentar essa imagem não satisfazia ninguém, apenas gerava mais expectativas. Um ciclo doentio – e inesgotável.

Consciente disso, busco agora invadir minha própria alma. Percorrer e conhecer os espaços do meu coração que podem revelar aquele que sou. Trajetória que faço sozinho, sem pressa, sem cobranças, sem qualquer prazo de conclusão. Quero dedicar-me a me conhecer enquanto eu ainda por aqui viver.

O que tenho descoberto tem me feito um bem difícil de ser descrito. Não pela ausência de coisas reprováveis em meu ser, mas justamente por perceber que o mal que me habita é diferente daquele que tentam atribuir a mim.

Assim como o bem.

Com a certeza de não poder ser “bom” como muitos esperam que eu seja, vêm o alívio e a alegria de perceber que o Bem que habita em mim é muito maior que eu. E me liberta da minha própria escravidão: a escravidão do eu!