sobre presenças e ausências, sobre saudades

tenho sido marcado pelas saudades que moram em mim

várias são essas saudades, todas presenças marcantes de muito marcantes ausências

de mim, em mim…

saudades dilacerantes
desconcertantes, porém
dúbia e inexplicavelmente
re-vigor-antes

sigo e busco – a despeito e por causa delas – chegar ao fim e descobrir-me – muito provavelmente – de volta ao início,

de tudo, de mim,
reencontrar-me, comigo, com o Eterno

movido por aquilo que nem ouso mais explicar
apenas prossigo

mas já é noite. e descansar se faz necessário
hoje

Hoje sou apenas saudade

 

Foto: Alisson Tato

Foto: Alisson Tato

Hoje sou apenas saudade. 100% saudade…
Saudade daquilo que vivi. Porém, saudade maior daquilo que nunca cheguei a viver…
Saudade daqueles que partiram e deixaram um vazio impossível de ser preenchido. Mas saudade maior daqueles que nunca partiram, e que conseguem ser – contraditoriamente – presenças ausentes;
saudade dos amigos de longe, de perto, que estão longe, que estão longe mas conseguem estar perto, que estão perto mas conseguem estar longe!
Saudade daquele que fui e gostei de ser, saudade daquele que gostaria de ser, mas jamais serei…
Saudade do Eterno,
e da minha – inesgotável – contradição!

Oração à meia-noite

Cativaste meu coração
com simplicidade
E despertaste em mim
toda a ternura
outrora adormecida
apagada pela dor

Enterneceste meu olhar
Que, uma vez mais,
pode brilhar

Sorriso sincero
Mostra quem sou:
filho do Amor

Tomaste-me de mim mesmo
Agora sou Teu
E assim será
Enquanto for essa, não a minha,
Mas a Tua decisão

Amém!