Chuva

A chuva não para [nota: é a primeira vez que escrevo esse ‘para’ sem acento agudo no primeiro a. mudança mais significativa, até o momento, em meu 2009]! Cruel, simplesmente destrói. Leva, em seus braços, vidas e semi-vidas. Bens e semi-bens. Casas e semi-casas.

Ela não tem pena. Muito menos compaixão. Obedece aos instintos. E, por não ter vazão por onde deveria, corre pelos trajetos que encontra. Não importa quem ou o que esteja no caminho… O importante é fugir, escapar…

2009 começa! E a força da água que carrega vidas é a mesma que deixa turbulenta a minha alma. Não, não estou feliz. Nem almejo ficar. Quero apenas ficar bem. Mas, pra isso, a chuva que atormenta meu coração precisa parar.

No primeiro Jornal Nacional de 2009, os destaques da virada.

No Rio, show de fogos em Copacabana;

Em São Paulo, comemoração na Avenida Paulista;

No Rio Grande do Sul, grande concentração na Usina do Gasômetro, em PoA;

Em Brasília, multidão na Esplanada dos Ministérios;

Em Santa Catarina, show de fogos histórico em Florianópolis. Até lá…

Em Minas, três mortes causadas pela chuva. De positivo, o ótimo vt da Isabela.

O que você vai fazer na virada do ano?

Perguntinha chata. Inconveniente. Sem sentido. Se as pessoas soubessem o tanto que gosto de responder perguntas, certo é que não me questionariam. Mas não sabem [aqueles que lêem meu blog, agora, sabem].

O bom dessa pergunta, quando me é feita, é que a resposta é extremamente simples. Nada. Não vou fazer nada na virada do ano. Óbvio que o nada é uma oposição que se aplica ao sentido que as pessoas comumente dão ao ato de fazer. O fazer normalmente é entendido como sair da rotina, dedicar o tempo a algo diferente. Nesse sentido, nada farei na passagem do ano de 2008 para 2009.

Não vou adotar superstições e rituais. Acredito na realidade. Não vou comemorar. Não enxergo motivo racional para festas e fogos de artifício. Assim como de 2007 para 2008, estarei em casa. Fazendo alguma das coisas que fiz ao longo do ano. Algumas opções: ler, escrever, assistir algum filme, ouvir música, ver TV, ouvir rádio, navegar na internet. Ou, é claro, dormir.

Comemorar por quê? O ano de 2009 vai começar. E, com ele, os mesmos dissabores e, para não ser pessimista, sabores de 2008. Pode ser que algumas variações ocorram, mas elas não derivam de rituais feitos na passagem. É natural que, ano após ano, amadureçamos e conquistemos coisas novas. Afinal, ano a ano, ficamos mais velhos. Não tem a ver com a passagem ou com o ritual. Tem a ver com o eterno exercício de crescimento que é a vida.

Na virada de 2008 para 2009, não espero nada. Quero apenas a vida. Viver é o que prometi a mim mesmo. No próximo ano, continuarei vivendo. A passagem 2008/2009 é apenas mais uma curva que completo na corrida da Vida. E, como bom piloto, só vou soltar fogos na reta final. Não quero comemorar de antecipação. Corro o risco de não chegar ao pódio. Vergonha total.

Aos que me consideram pessimista, um recado. Como diz minha mãe quando ouve alguém diferenciar pessoas em classes opostas, afirmo: “discussão inútil. Todos irão morrer”. Pessimistas e otimistas. Cristãos e ateus. Judeus e muçulmanos. Liberais e comunistas. O fato é que o mesmo fim nos espera. E, na vida, a única diferença efetiva se faz entre aqueles que escolhem amar e aqueles que escolhem o caminho da indiferença.

Se você vai comemorar a virada do ano com pedidos dou uma dica. Que, em 2009, você escolha fazer do mundo um lugar um pouco melhor. De casa, desejo boas festas àqueles que vão comemorar. Não tenho restrições. Apenas decidi fazer a minha festa em solo particular, cuidando do meu coração.

Ah, para não deixar a pergunta sem resposta. O que farei na virada? Bem, vou comemorar a Vida. Da mesma forma que comemoro a cada amanhecer. Com reverência e devoção. A vida é bela… e curta…