(Não) saia sem seu cartão de CPF

Antes de tudo, admito que tenho alguns gostos estranhos! E um deles é coletar sangue para fazer exames. Lembro-me que quando fiz isso pela primeira vez a responsável pela coleta se surpreendeu por meu olhar acompanhar todo o procedimento. Hoje acordei cedo para coletar sangue na unidade Alípio de Melo do laboratório Hermes Pardini. Observei a retirada dos três frascos atentamente. E tive uma experiência didática muito interessante: encontrei um uso para meu cartão azul – o CPF.

Para evitar perdê-lo, assim como muita gente que conheço, deixo-o em casa. Mas, hoje, ao solicitar no guichê do laboratório a senha para retirada dos resultados pela internet, soube que é imprescindível a apresentação do cartão de CPF. Para quê? Garanto que ainda não sei, assim como as duas funcionárias do laboratório que me atenderam. Só sabem que é “norma de procedimento da empresa”.

Eu até concordo com quem diz que não tenho afeição a normas; mesmo assim as compreendo quando fazem algum sentido. Ou mesmo se a pessoa que me exige sabe explicar a razão daquilo que exige. Explicação que deve ir além do “sempre foi feito assim”. Nesse caso, ainda não encontrei nenhum bom motivo. E continuo a pensar. O cartão não tem foto; apenas o meu nome completo e o número do meu CPF. Dados que eu posso fornecer de cor.

O argumento da primeira atendente é que eu poderia fornecer o CPF de outra pessoa e haveria o risco de alguém ter acesso ao meu resultado. O intuito da norma seria o de resguardar o cliente. Porém, nesse caso, a probabilidade de alguém descobrir a senha aliada ao número correto do meu CPF é até maior que a de descobrir a que for correspondente ao número errado. Pois é muito mais fácil alguém ter acesso ao número do CPF que me pertence do que ao que eu, na hora, fornecer, seja por erro ou por algum capricho.

Outra funcionária argumentou que a exigência do cartão azul é para “evitar mais processos”, pois “a empresa já sofre com muitos processos na Justiça”. Enquanto voltava para casa comecei a pensar nessa afirmação. Se o laboratório é alvo realmente de tantos processos, quais serão os motivos? Erros de diagnóstico? Ou será que há inúmeros casos de gente que ficou insatisfeita na hora de retirar os resultados pela internet e resolveu entrar na Justiça? Se o motivo da exigência do CPF realmente for esse, divulgá-lo afeta a credibilidade que as pessoas colocam no trabalho realizado lá.

Nesse caso, ficou claro que faltam ações de comunicação interna no Hermes Pardini, a fim de preparar os funcionários para responder de forma mais eficiente e satisfatória às questões de seus clientes.

Surpresa: top 10 do Pavablog#

Hoje entrei na internet e vi comentários do Thiago Mendanha nos meus dois posts anteriores pedindo que eu entrasse em contato com ele. Sequer podia imaginar o motivo. Pouco depois que mandei o e-mail, veio a resposta. O Contradição™ ficou em 5º lugar entre os 10 endereços que mais enviaram visitantes ao Pavablog# no mês de março.

É a primeira vez que o contradição™ entra no top 10 do Pavablog#. E confesso que fiquei bastante surpreso, já que ele é escrito de eu para mim mesmo. E, a despeito de alguns comentários, eu sempre acho que ninguém – além de mim – lê aquilo que coloco aqui. E, pra ser sincero, continuo achando. Sou incorrigível. A internet ainda me assusta.

Luto: Jairo Anatólio Lima

Morreu, nesta tarde, Jairo Anatólio Lima, grande nome da crônica esportiva no rádio de Minas Gerais. Ele estava internado em Belo Horizonte com uma infecção pulmonar. Nota triste desta quarta-feira, quando, logo mais, será disputada a última rodada da fase classificatória do Campeonato Mineiro 2009. O corpo será velado, a partir das 21h, na sede do Galo, no bairro de Lourdes. Jairo, que era atleticano, morreu no dia em que o Clube Atlético Mineiro completa 101 anos.

Leia a íntegra da nota divulgada pela Rádio Inconfidência em seu site:

RÁDIO BRASILEIRA DE LUTO: FALECEU HOJE O RADIALISTA JAIRO ANATÓLIO LIMA
A Rádio Inconfidência comunica, com profunda tristeza, o falecimento hoje, dia 25 de março, às 13 horas, de Jairo Anatólio Lima, um dos profissionais mais queridos e respeitados em toda a história da emissora. Em seus 81 anos de vida, completados nesta última segunda-feira, Jairo Anatólio dedicou 68 anos de trabalho à Inconfidência. Tendo iniciado a carreira na emissora como contínuo, aos 13 anos de idade, Jairo chegou à diretoria artística, deixando como legado, especialmente na área esportiva – onde brilhou como ninguém -, uma trajetória de competência, seriedade e profissionalismo. Para os que conviveram com Jairo, fica o exemplo de um profissional raro. Para o rádio mineiro, uma lacuna irreparável. Para toda a equipe da Inconfidência, uma saudade sem tamanho.

Sabedoria (?) popular

No ônibus, indo para o centro de BH, presenciei o seguinte diálogo, na tarde de ontem:

O motorista vira para um senhor que ocupa a área especial para maiores de 65 anos e pergunta:

– E o Clodovil, morreu mesmo? Acabou que não liguei minha TV desde o dia em que o senhor me falou. Eu fico até um mês sem ligar ela.

Ao que o senhor responde:

– Morreu mesmo! É… no Brasil, a pessoa precisa morrer pra gente descobrir que ele era um grande homem.

O motorista, intrigado, questiona:

– De quem o senhor está falando?

– Do Clodovil. Ele era um grande homem. Deu pra ver pelas reportagens.

– Ah, o senhor vai me desculpar. Grande ele até podia ser, mas homem… não!

Sada-Cruzeiro?

Após ler – no jornal O Tempo desta quarta-feira – sobre a possibilidade de uma parceria entre o Sada Vôlei, de Betim, e o Cruzeiro, para a sequência da Superliga 2008/2009, começo a achar bem mais chata a situação que gera a saída do time de Betim – região metropolitana de Belo Horizonte.

A – infeliz – transferência do time para Belo Horizonte é quase certa. Triste, pois a torcida de Betim, que muito empurra e levanta o time, ficará afastada dos jogos. É inquestionável o crescimento do Sada-Betim nos últimos anos. E muito disso essa torcida acompanhou. E, creio eu, a ela os méritos são devidos.

Outro ponto a se considerar: como ficarão os torcedores do Sada-Betim que torcem pelo Galo? Passarão a gritar Sada-Cruzeiro? A se considerar a paixão e a rivalidade propiciadas pelo futebol, certo é que não!

Torço para que o desfecho desse imbróglio – que, pelo que se pode ver, é prioritariamente político – seja não tão triste.