Sobre a dor que não pode ser partilhada

sem nome (10), foto de Kleber Bassa

sem nome (10)

Há dores que não podem ser divididas, partilhadas. Dores que não são externas, que não vêm de fora. Dores que nos compõem, fazem parte de quem somos. São, além de internas, inexplicáveis.

Não podem ser explicadas, não podem ser compreendidas.

Carrego em mim algumas (muitas) dessas dores. Que não posso e nem quero partilhar. São minhas, não quero dividi-las. Por períodos bem longos, elas me impedem de enxergar o mundo que está além delas e, por isso, acabam me afastando dele.

Distante do mundo, percebo-me – o que não é raro – intensa e essencialmente só. Longe de pessoas que, incapazes de respeitar aquilo que não entendem, só sabem oprimir. Sob o pretexto da preocupação, empurram-me em direção ao abismo do qual luto para me afastar.

Afastar-me, então, é apenas mais uma tentativa que emprego no intuito de sobreviver. Nesses momentos, luto para acalmar o turbilhão de pensamentos e dores que me afligem, machucam e confundem. Dores que me cegam!

Tento: reconhecer o que são aqueles que estão ao meu redor. Resisto: (ainda) não quero me entregar. Recuso: não aceito ser oprimido por quem quer que seja. Recolho-me: acompanhado por dores que não consigo explicar.

Há dores, repito, que não podem, ser partilhadas. Nem devem ser.

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