Sim ou não?!

Foto: Kleber Bassa

Foto: Kleber Bassa

Uma posição não é cristã apenas por ser baseada na bíblia; a opinião cristã é aquela que surge após a experiência de colocar-se no lugar do outro. Entender o seu problema. Sofrer a sua dor. Enxergar o mundo com os seus olhos. Tal como Jesus fez!

A posição cristã é, em sua essência, antagônica à posição religiosa. Nela, não há interferência de regras próprias e padrões morais pessoais. Há apenas uma atitude reverente diante da dor do outro. Se não é possível sofrê-la em comunhão, o caminho mais justo é o silêncio. Fora dele, sobrará incoerência.

Um seguidor de Cristo não é aquele que consulta um manual de regras (como a bíblia é vista por muitos) antes de decidir pelo “sim” ou pelo “não”. Muito pelo contrário, é aquele que não se amedronta ao ter que admitir a incerteza, a dúvida ou a escolha pelo “talvez”.

Os que amam entendem que Cristo não ofereceu regras. Entendem que o convite e a proposta dele era para que nos colocássemos sempre no lugar do outro. Primeiro, a ausência total de pecado. Depois, a primeira pedra. E essa primeira pedra, um imitador de Cristo sabe que nunca vai existir.

É importante entender que quando Jesus orienta que nossa palavra seja sim ou não, ele não fala de nenhuma posição ortodoxa. É necessário lembrar que a letra mata? Ou também que o Espírito traz vida? O convite de Cristo não é voltado ao nosso vocabulário, mas ao nosso coração.

Caso contrário, teria sido ele o primeiro a dizer “sim” ao apedrejamento da mulher adúltera (era essa a Lei). Mas ele não disse “sim” – e nem “não”. Apenas aproveitou a oportunidade para, uma vez mais, manifestar o seu incompreensível e grandioso Amor.

Posições ortodoxas – como “sim” e “não” – não refletem o Amor de Deus. O acolhimento, de braços abertos, daquele que erra, sim! Produz frutos de amor e de esperança…

Antes de consultar qualquer manual, leia o outro. Interprete sua vida. Devore as condições de sua existência. As pedras desaparecerão juntamente com os convictos vocábulos “sim” e “não”.

Diante de qualquer dúvida, basta lembrar que as vítimas da Inquisição reconheciam sua condição de hereges diante da bíblia. Em seguida, sentiam o calor do fogo que as consumia ainda vivas.

*Publicado originalmente no dia 30 de agosto de 2010 na extinta coluna Evangelho em Prosa

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s