Sobre a necessidade de viver

Foto: Kleber Bassa

Foto: Kleber Bassa

Viver não é fácil nem nunca será. Por isso, o importante, o que é crucial mesmo, é se acostumar. E com ‘acostumar ‘nem de longe procuro sugerir uma postura de acomodação e/ou passividade diante da vida. O que defendo mesmo é o aprendizado e o desafio diário de lidar com as surpresas – nem sempre agradáveis – que a vida traz.

Decidi, de uns tempos pra cá, ser menos pessimista. Quero também reclamar bem menos. Não sei se tenho conseguido e, às vezes, acho até que sou incapaz. Quando olho para o lado e vejo alguém com um problema infinitas vezes maior que o meu, calado, sorrindo e, muitas vezes, grato, sinto-me envergonhado apenas pela minha intenção – nem sempre concretizada – de reclamar.

Curioso que onde trabalho, por exemplo, raramente vejo reclamando da vida as pessoas que ocupam cargos que, em nossa sociedade, são tidos como inferiores (e, por isso mesmo, são muito mais mal remunerados). Pra ser mais direto, a verdade é que, normalmente, reclama mais da vida quem tem mais dinheiro. E falo aqui de dinheiro porque, numa sociedade capitalista, é ele quem acaba por tomar o centro das nossas vidas, visto como solucionador de problemas.

Não vou usar aqui aquele velho clichê de que “dinheiro não traz felicidade”, mas a verdade é que, por sermos naturalmente ambiciosos, quanto mais temos, mais queremos. E, por isso mesmo, quem mais tem está sempre mais insatisfeito com o que tem e, dessa forma, transfere a insatisfação também para a vida. E, talvez, por isso, escolha ter também mais problemas. E deles reclamar…

Lembro-me de um Alguém que sugeriu que não ficássemos ansiosos por nada na vida: “não se preocupem com o amanhã, pois o amanhã se preocupará consigo mesmo. Basta a cada dia o seu próprio mal”. Mesmo assim, o que fazemos quase sempre, motivados pela ansiedade, é antecipar para o dia de hoje a angústia e a dor por todos os males que ainda estão por vir – e que, caso não antecipássemos, poderiam nem sequer aparecer.

Em minha alma, algumas perguntas Eternas permanecem: “não é a vida mais importante do que a comida, e o corpo mais importante do que a roupa”?

Talvez seja hora de nos ocuparmos mais com a tarefa de viver. Quanto a mim, quero aprender com as aves a tarefa de voar e descansar, sem me preocupar com o amanhã. Enquanto ainda há tempo… enquanto ainda há amanhã…

Uma resposta em “Sobre a necessidade de viver

  1. sou suspeito ao falar sobre seus textos, pois suas palavras sempre me alcançam de uma maneira única e eficaz! quando o leio, sempre tenho a impressão de estar ouvindo a sua voz, vendo suas expressões e gestos. suas palavras sempre vencem a distância e aproximam nossos corações, dando-me a oportunidade de desfrutar da sua companhia e compartilhar do amor e carinho que você sempre expressa para comigo! obrigado por nos presentear com suas experiências.

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