Vida em mim

Foto: Kleber Bassa

Foto: Kleber Bassa

O Evangelho é a história mais linda do Universo. Disso não tenho qualquer dúvida. E, quando falo de Evangelho, não me refiro a nenhuma religião, nem mesmo a alguma filosofia ou forma de pensamento. Ao invés de tentar defini-lo, prefiro me dedicar à tarefa de tentar vivê-lo – com integridade e verdade. O que não é fácil, tenho que assumir. A despeito disso, é o Evangelho o bem mais precioso que possuo (ou, pra dizer melhor, que me possui) na Vida. E sua beleza, entre tantas coisas, para mim reside também no fato de a sua mensagem ser mais forte que as gaiolas e cercas às quais tentam submetê-lo.

Evangelho e vida. Talvez vida seja a palavra que mais se aproxime daquilo que penso e sinto ao ser confrontado com o Evangelho. Vida como fruto. Vida como consequência. Vida, a despeito da morte. É por isso que não consigo enxergar qualquer sentido quando vejo algo que, sob o rótulo de ser o Evangelho, suprime qualquer possibilidade de paz, compaixão e, para além disso, tem o potencial de provocar apenas dor e morte. Disso, apenas me afasto.

Não me envergonho da minha fé. Para ser bem sincero, talvez seja uma das poucas coisas que eu tenha para me orgulhar. E longe de ser um orgulho soberbo, que me traga algum ar de superioridade em relação aos que pensam diferente de mim. Muito pelo contrário, esse orgulho de que falo é algo que me traz apenas alegria e paz. Alegria que me ajuda a manter a esperança, e paz para prosseguir, em meio a circunstâncias que só trazem vontade de jogar a toalha, cruzar os braços e esperar, de forma condescendente, a vida passar. Mas não consigo ser, da existência, um mero espectador. Tenho compromisso com a vida.

O Evangelho me faz viver. Crer em um Deus que me isola dos problemas e dificuldades neste mundo nunca me foi atrativo, convincente. Sempre enxerguei tal “blindagem” de forma crítica, condição meramente ilusória. Como amar um Deus que, em meio a tragédias, elege apenas uns poucos para salvar? Não entendo aqueles que conseguem conceber um deus assim. Nos momentos de dor (ou não), prefiro entregar-me a um Deus que também chora, e me consola, em puro Amor. Diante da atrocidade, demonstra respeito aquele que cala – e chora!

É por isso que creio no Eterno. O único que, na história, foi capaz de inverter o significado de justiça, ao oferecer-se, antes da fundação daquilo que conheço como mundo, como sacrifício no lugar dos criminosos da Terra, em meu lugar. Sofrendo em si mesmo as dores da humanidade. E é nesse Eterno que me refugio na hora que não compreendo os rumos da existência, certo de que sua compreensão e Amor permanecem em mim. Amor que subverte a concepção humana de Justiça, afastando-a, de uma vez por todas, do ideal humano de punição.

Evangelho. Amor. Vida. É esse o meu legado. É essa a minha vida. E se caso amanhã eu não mais aqui estiver, descanso na certeza de que o dia importante é apenas o hoje, quando o Eterno se faz vida em mim. Através de mim. E vive em nós…

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