Pródigos contemporâneos

Foto: Kleber Bassa

Alguns filhos pródigos contemporâneos são um pouco diferentes do personagem narrado nos evangelhos…

São mais estranhos…

Híbridos. “Ecléticos”.

Desconhecem o sentido e significado de “Quem é injusto, faça injustiça ainda; e quem está sujo, suje-se ainda; e quem é justo, faça justiça ainda; e quem é santo, seja santificado ainda” (Ap. 22:11).

A Casa do Pai, que não é física ou geográfica, mas existencial, não lhes satisfaz. Gostam da vida dissoluta, mas, “estranhamente”, conciliam esse estilo de vida com breves momentos com o Eterno. Ou tentam conciliá-los.

Alguns desses momentos são meramente emotivos.

Mesmo sendo essencialmente existencial, às vezes essa casa do Pai tem muito a ver com a nossa casa, que pode ser um lar.

E o “camarada”, menino-homem diferente do personagem, não assume aquela postura essencial e fundamental na vida, um divisor de águas peremptório: “estou indo embora”.

Os de hoje são diferentes: não ficam, e nem vão.

São do meio. Mediocridade.

E, nesse hibridismo insosso, não chegam a experimentar as bolotas dos porcos. Tem gente que, com a melhor das intenções, infelizmente sustenta esse “lugar” tão liminar.

O menino-homem é um ser “entre”….

É um “quase”.

Mas, ao invés de ser um estágio, uma transição, torna-se sua vida, seu estilo, a marca emblemática da sua caminhada. Identifica-se com isso. E é identificado enquanto tal.

Diferente do Pai, aqueles que o cercam não permitem que vá, e o sujeito contemporâneo fica sem estar, e vai sem ir.

Gosta da comodidade da casa do Pai, sem, contudo, desfrutar da plenitude de Vida que ali existe.

Goza dos prazeres advindos da “terra distante” (distante, principalmente, de si mesmo), mas não precisa chegar ao ponto da miserabilidade existencial, tipificada nas famigeradas bolotas dos suínos…

A situação-limite que traz consequências tão benéficas ao crescimento como homens não é vivenciada por ele.

E ele não cai em si…

E, não caindo, não levanta…

E vai sem ir…

E fica em estar…

Uma pena…

Não quer cair em si, e aqueles em seu redor, movidos pela melhor das intenções, sustentam essa liminaridade existencial.

Sim, ele não experimenta o maravilhoso desconforto. A falta.

Se acabar o dinheiro, como ocorreu na narrativa, seus parentes e amigos dão um jeito.

Ele jamais experimenta o desconforto de uma roupa suja, suada, ou de um ambiente sujo e sujado por ele próprio.

Há aqueles que fazem tais coisas pelo menino-homem.

Adultescente.

Não experimenta nem o abandono dos falsos amigos, porque o contexto é tão favorável que a falsidade deles não se torna patente.

Sua vida é marcada pelo excesso.

Até o afeto que recebe dos “seus” é excessivo, na medida em que não permite o desconforto, o incômodo que move e mobiliza.

Indago: será que esse ir sempre é uma escolha única e exclusiva dele? Será que, em alguns casos, também não pode ser um convite?

No limite, até uma de-cisão para o outro, já que ele não toma tal postura por si só.

“Vá, meu filho, amigo, irmão, Será melhor pra você. Nos dói vê-lo assim, mas, do jeito que está, não dá mais”.

“Suportando-vos uns aos outros” implica em dar suporte, mas naquilo que constrói, que gera Vida em Amor.

Como suportar o insuportável?

Não quero suportar aquilo que tem cheiro, gosto e pulsar de morte. Em mim e naqueles que amo.

A isso, nomeio limite.

Henrique Willer

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