Cataadordopapel,

Ilustração: Kleber Bassa

Raimundo não era uma rima,
tão pouco solução. Raimundo
era trabalhador. No alto dos seus
quarenta anos, alimentava
exercício diário: catava
a dor do papel.

A cidade era triste
cinza fria e virulenta.
Suas ruas contaminavam
os homens pelos poros,
ainda assim!,
ele a atravessava
carregando sua carroça.

Raimundo acumulava
abandonos com a intenção de
transformá-los em afeto.
Era trabalho pesado.
Era trabalho poeta.

Domingo a domingo
vasculhava cantos
avistando espaços
catandoador
ouvidocuidando
tocando de l i cada mente
nas feridas; restos
não aproveitados pelo
Consumo.

Raimundo, Raimundo,
se não fosses deste
mundo, serias sim
um grande deslumbro.

‘Pimp My Carroça’, grafiteiro Mundano desenvolve trabalho com Catadores de Papel. Vejam aqui reportagem, fotos e vídeo.

Filipe Arêdes

Ou apenas Lipe, o segundo convidado nesta série de publicações do aniversário de 6 anos do contradição™. Ele também escreve em seu blog pessoal desbaratine.

2 respostas em “Cataadordopapel,

  1. Pingback: O novo contradição™ | contradição™

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