Devaneio em algumas linhas confusas…

“… é que a gente sofre tanto por tudo que se desfaz”. Que verdade contundente pra abrir uma canção tão magistral quanto Jamais, penúltima do último CD do Leonardo Gonçalves, princípio e fim. A gente sofre e muito por tudo aquilo que se desfaz, por tudo aquilo que chega ao fim… E a gente sofre também no processo, quando as coisas ficam nubladas e a gente não consegue mais ver com qualquer nitidez.

Viver é sofrer, viver é perder. Ouvi essa verdade no ano passado, numa palestra da Maria Rita Khel na UFMG. Lembro-me do tanto que fui tocado naquele dia. Tal afirmação, feita por ela, permaneceu por muito tempo em minha mente. E nesses dias veio, uma vez mais, me incomodar. Como canta o Leo, “o infinito é tão distante pra frente ou para trás”. Como mensurar, então, a existência? Por meio das conquistas? Por meio das alegrias? Por meio das dores? Por meio das perdas?

Tento descansar na certeza de que “nEle é o tempo, Deus infinito é o dono de tudo”. Mesmo sabendo que, a cada dor, a cada perda, experimento, em diferentes medidas, a morte. Perder é morrer. Sofrer é morrer. Morrer de forma gradual. Nesse processo, pode-se morrer para algumas crenças, para alguns desejos, para algumas coisas em que se acreditava. E, o que é mais prejudicial, morrer para a esperança.

Já disse, em algum texto por aqui, que a pior morte é viver condenado a uma existência sem qualquer esperança. Não há vida sem esperança. Há existência. Uma subsistência.

É por isso que a dor eu aceito, faz parte da vida, faz parte do processo, do crescimento. Mas, com toda a força que me resta, luto para que não morra a minha esperança. Sofro, perco, morro. Mas ainda mantenho viva a chama da esperança que habita em mim. “Cristo em mim, a esperança da Glória”. “Mas chegará o tempo em que não morrerei…”

“Jamais! E o tempo me deixará em paz…” O antes e o depois não importarão mais. A dor não importará mais. Sofrer deixará de ser/existir. Será paz. GOZO – palavra que, ontem, passou a fazer mais sentido pra mim e em mim, na voz e na alma do meu amigo-irmão Jon.

“Não morrerei jamais! O antes e o depois não importam mais…” Em contraposição ao que abre a canção – a constatação da dor – aparece, no fim de Jamais, aquilo que experimentarei no fim da vida – a certeza da esperança, do gozo eterno.

Estarei nEle. Com Ele. Eternamente. Distante da dor daquilo que se desfaz.

Perdoem-me por essas linhas confusas. Expressão do meu jamais…

A esperança em mim permanece.

No Amor. Em Graça…

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