Miserável homem que sou

Três vezes Paulo pediu ao Pai que retirasse de sua carne o espinho que o feria. Não sou tão forte, já perdi a conta das inúmeras vezes em que pedi a Ele que me curasse da minha doença. Sim, sou doente. Admitir isso não é tão difícil, pelo menos para mim. Complicado mesmo é encontrar meios de superar. Reconhecer o problema é o primeiro passo, dizem. Mas e quando você não sabe qual é o segundo passo? Ou ainda: mesmo sabendo, você não é capaz de dá-lo?

Encontro-me nessa situação. Sei qual é a minha doença. Mas não sei como curá-la, como vencê-la, como superá-la. E a maior dor não é a que ela, diretamente, me causa. Sofro muito mais quando percebo o mal que consigo causar àqueles que me cercam. Normalmente, sofrimento que atinge aqueles que mais amo.

Assim como Paulo, em carta aos romanos, questiono a mim mesmo:

“Não entendo o que faço. Pois não faço o que desejo, mas o que odeio. (…) Sei que nada de bom habita em mim, isto é, em minha carne. Porque tenho o desejo de fazer o que é bom, mas não consigo realizá-lo. Pois o que faço não é o bem que desejo, mas o mal que não quero fazer, esse eu continuo fazendo. (…) Miserável homem que sou! Quem me libertará do corpo sujeito a esta morte?”

Libertar-me de mim mesmo não é tarefa fácil. Curar-me da doença que me dilacera diariamente a alma e, ferindo-me, acaba por alcançar aqueles, os mais preciosos, que me cercam.

Em momentos como este, é forte demais a vontade de me afastar de tudo e de todos. Encontrar um lugar de descanso, onde eu esteja imune a toda dor, principalmente a dor de perceber o meu potencial de causar tristeza àqueles a quem mais desejo todo o bem.

E, de repente, percebo-me aqui, mais uma vez (e não sei dizer quantas vezes já estive nesse mesmo lugar), tentando aceitar e, sobretudo, entender que a Graça me basta e que o poder dEle se aperfeiçoa em minha fraqueza…

 

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