Amor – a linguagem universal

O texto abaixo foi escrito em meados de 2010, para o Portal DT. Após a chocante entrevista da Sarah Sheeva, domingo, no ‘De frente com Gabi’, ele me veio à memória e resolvi republicá-lo, com algumas adaptações.

A verdadeira religião

Confesso que tenho bastante dificuldade de entender uma mente religiosa. Não falo de pessoas que têm uma religião, mas de pessoas que são possuídas pela religião. Notem que o pertencimento se dá pelo ângulo oposto. O ser que se deixa escravizar pela religião passa a ver o mundo apenas pelas doutrinas que ali recebe, naquele ambiente onde todos são incentivados a ser iguais.

E o risco disso é a perda da capacidade de interpretar. Não falo de interpretar textos bíblicos apenas, mas de interpretar a vida. O vício religioso pode criar pessoas sem capacidade de ler a existência.

Um exemplo: não é raro pessoas discutirem, de maneira vã, para provar que a sua religião e/ou denominação é a melhor. O embate se dá, de forma mais frequente, entre os cristãos: católicos, protestantes e evangélicos – das mais variadas denominações. E, com isso, todos se esquecem daquilo que João já disse no Famoso Livro: “Aquele que ama é nascido de Deus e conhece a Deus.” (I João 4.7b)

Esquecendo-se dessa verdade, pessoas se utilizam de rótulos e nomenclaturas para decidir quem está ao lado delas ou não. Daí, não importa se o cara odeia ou fala baboseiras em nome de Deus, mas se ele é pastor, bispo, apóstolo ou apenas membro da mesma igreja que eu, ele é “homem de Deus” e está comigo! Da mesma maneira, o cara pode ser inspiração e exemplo na arte de amar, defender e acreditar no bem, entregar sua vida em causas que priorizem o próximo. Mas, se esse mesmo cara carregar o rótulo de outro segmento religioso, ele não está comigo. O Amor dele não vale, apenas por que o grupo religioso a que ele pertence não é o meu. Ignoramos que o Amor procede de Deus. É dom dEle. NUNCA parte de nós.

Mentalidade tola essa. Como ler isso (em 1 João 4) e continuar achando que o Amor de Deus está em algum espaço físico? Pensar que a fé em Deus está no lugar a que se vai aos domingos? Que o verdadeiro Amor tem endereço humano, precedido de um nome, que, obrigatoriamente, começa com a palavra “igreja”?

Não, Jesus nunca esteve preocupado com nenhuma dessas bandeiras. Ele carregou apenas uma: o Amor. E quer que a carreguemos também: “Quem ama a Deus, ame também a seu irmão.”

O mundo carece do Amor. Não resta tempo para discussões teológicas e religiosas. Pessoas estão morrendo, enquanto os fãs da religião discutem qual delas é a melhor. Esquecem-se que a verdadeira religião é o Amor.

De que adianta olhar para o céu e declarar amor a um Deus a quem não se vê? Afirmo, sem medo, que não vale nada, se esse ato nos impede de olhar para o chão e perceber que, ali – caído, sujo, ferido, machucado -, está alguém extremamente carente e necessitado do Amor desse mesmo Deus.

De que adianta falar para não ser entendido? Falar apenas para os crentes, com um vocabulário específico: o ‘crentês’? Enquanto os crentes falam para si mesmos, o mundo continua carecendo de Amor. Então, falemos e vivamos de forma que todos entendam: em Amor, a linguagem universal.

 

Uma resposta em “Amor – a linguagem universal

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