Enquanto em nós houver vida…

Foto: Kleber Bassa

Foto: Kleber Bassa

Acho um tanto pretensiosa qualquer tentativa de fazer uma lista de “melhores amigos”. Também considero um tanto imatura a postura de definir, entre amigos, aqueles que são os melhores. Escolher os melhores implica dizer que há também os piores. Coisa estranha. Prefiro dizer que tenho amigos e conhecidos, colegas, ou qualquer outra nomenclatura que você prefira.

É curioso perceber que meus amigos dividem entre si a tarefa de me acompanhar nos diferentes momentos e episódios da vida. Há alguns amigos específicos para certos programas. Mas há também aqueles que se encaixam em muitos desses momentos e com os quais temos muitos gostos em comum. Esses normalmente são os que se tornam mais presentes em nosso dia-a-dia.

Desde o início de dezembro, tenho refletido a respeito do ano que vivi. Conquistas, novidades, surpresas. Foi um ano muio bom. E, desde 2005, foi também o ano em que estive próximo do menor número de pessoas. Foram poucos aqueles que me acompanharam em 2011. Mas, mesmo que fossem muitos, eu não teria a menor dificuldade em dizer quem foi o “amigo do ano”.

Lucas Paiva e eu nos conhecemos há alguns anos, sempre nos víamos na Igreja Batista da Lagoinha e o máximo de intimidade que existia entre nós eram alguns acenos e cumprimentos à distância. Com o tempo, muitas mudanças. Nós amadurecemos e, também, nos aproximamos. Descobrimos-nos amigos. São vários os gostos que nos unem. Indescritíveis os momentos que vivenciamos.

Em 2011, ninguém foi mais amigo pra mim que o Lucas. Não que os outros amigos tenham falhado. Não é culpa de ninguém. O mérito é todo dele. O Lucas me entende sem que eu precise explicar. Compreende as minhas frases não-explíticas e não-explicadas. Compreende, principalmente, as minhas contradições e incoerências. Em um mundo em que a perfeição nos é sempre cobrada, encontrei no Lucas um amigo que aceita e gosta da imperfeição. Uma pessoa que compreende o próximo, muito melhor do que eu. Como não amar alguém assim?

É, eu sou fã declarado do Lucas Paiva. Ele é meu amigo. Há quem não entenda, mas o que mais me faz admirá-lo é o fato de ele ser uma pessoa que não se acha perfeita. Como é bom estar na companhia de uma pessoa autêntica, que não prioriza as máscaras, mas se apresenta como é. Coisa rara nos dias de hoje.

O Lucas não é o meu melhor amigo. Nem um dos meus melhores amigos. Ele é meu amigo. E isso basta. Basta pra mim e pra ele também. Ele sabe que ocupa um lugar único e insubstituível em minha vida.

Uma das inúmeras coisas que nos unem é o fato de não estarmos preocupados com a opinião que as pessoas têm sobre nós. Não queremos ser nada que não somos. Não fingimos ser o que não somos. E isso nos faz únicos, nos faz amigos. A nós, isso é o bastante. Assim como a Graça de Deus, que se aperfeiçoa em nossas limitações e fraquezas.

É o amor dEle que nos faz amigos. E não há coisa melhor. Em 2011, em 2012 e em todos os anos que vierem. Enquanto em nós houver vida, muita vida.

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