Depois de quase desistir… desisto!?

Faz já algum tempo que penso em escrever sobre a música “Pés cansados”, da Sandy. Hoje, assistindo ao DVD “Manuscrito – Ao Vivo”, decidi enfim fazer isso. Talvez porque, hoje, tal música se encaixe mais do que nunca naquilo que estou vivenciando. E não são só os meus pés que estão cansados. Toda a minha alma encontra-se, também, mergulhada em tal cansaço.

São 25 anos de vida e a sensação é realmente de que “fiz mais do que posso, vi mais do que aguento…”. Tanto tempo de caminhada, tanto tempo de estrada, muitas experiências, muitas dores, muitos dissabores e a sensação é exatamente esta: já fui muito além do que dou conta. Estou esgotado, cansado, estafado “e a areia nos meus olhos é a mesma que acolhei minhas pegadas”. E é a mesma areia que me impede de enxergar qualquer esperança…

“Depois de tanto caminhar, depois de quase desistir, os mesmos pés cansados voltam pra você.” É nessa parte que a coisa complica. Caminhei demais, quase desisti várias vezes ao longo do percurso. Hoje, falta força para seguir. Mas falta também força para desistir. Como se não pudesse ficar mais complexa a situação, só consigo me perguntar: voltar para quem? Para Quem? Para onde? Para Onde? Prosseguir? Recuar?

Gostaria de ter para quem/Quem voltar. Ficaria tudo mais fácil se eu tivesse para onde/Onde voltar. Mas… não! Não há alternativa. Só seguir… ou não! “Eu lutei contra tudo, eu fugi do que era seguro, descobri que é possível viver só, mas num mundo sem verdade…” Não há verdade, não há companhia, não há mundo, não há segurança, não há mais luta. Nada mais… Apenas eu! A batalha, agora, é entre mim e eu mesmo.

“Depois de tanto caminhar, depois de quase desistir…”. Ah, como eu queria poder voltar, ter para quem/Quem voltar, para onde/Onde voltar… “Os mesmos pés cansados voltam pra você… sem medo de te pertencer”. Sem medo de pertencer. Mas não há pertencimento. Apenas eu, uma vez mais – e sempre!

 

3 respostas em “Depois de quase desistir… desisto!?

  1. Essa sensação, na verdade, é ótima.Fazes mais do que se pode/deve é sempre a melhor opção.E não ter pra quem voltar pode ser só um sinal de que você ainda precisa andar mais.Sinto-me assim também, diariamente, mas tenho tentado ver essa "liberdade" mais como uma "libertação" que solidão apenas.E sei que meus pés (e os seus também, eu aposto), ainda cansados, aguentam caminham bastante. Sempre aguentam… E caminham.O Quem tá no final da estrada! =)

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