Se preciso, saia!

Desde que decidi romper com o movimento evangélico e com qualquer forma de religião tenho ouvido perguntas sobre a razão dessa escolha. Até hoje, contentei-me em apenas não responder. Não ligo para a interpretação que os outros possam dar ao meu ato. Porém, ultimamente a pergunta tem surgido com mais frequencia e decidi – sei lá por que razão – responder.

Decidi, também, por tabela, agradar aos que se queixam que raramente cito trechos da Bíblia para abordar a minha fé. Há uma passagem do livro de Mateus que explica a minha decisão de seguir na Vida por rumos que não mais passam pelos trajetos de qualquer proposta religiosa. Após falar das bem-aventuranças e dar mais alguns ensinamentos às multidões que o ouviam, Jesus disse: “E se a sua mão direita o fizer pecar, corte-a e lance-a fora. É melhor perder uma parte do seu corpo do que ir todo ele para o inferno.” (Mateus 5.30)

Sim, foi isso mesmo que fiz: cortei a religião da minha vida. Apenas porque ela começou a me fazer tropeçar. Ao contrário do que muitos dizem (palavras postas em minha boca), não descarto que um dia a experiência religiosa tenha me feito bem. Não ignoro que um dia a “igreja” me fez crescer. O que sou hoje passa pelo que vivi ontem, no ambiente da religião. Mas assim que ela começou a me transformar em alguém distante daquilo que eu almejava ser, decidi cortá-la e seguir em frente, usando apenas aquilo de bom que ela me fez.

E é por isso que não oriento a ninguém que deixe qualquer ambiente em que hoje esteja. Creio que todas as experiências humanas são válidas para a construção do ser. Assim como Jesus não disse a todos que cortassem a mão direita, nem mesmo que antecipassem o corte do membro para prevenir o erro, eu não digo a ninguém: saia! Não tenho essa prerrogativa.

Se a “igreja” te faz uma pessoa melhor, por favor, não a deixe! Não saia de lá. Mas se te faz feio, ignorante, presunçoso, arrogante e menos parecido com Jesus, corte-a já. O problema não é a mão; é o que ela te motiva a fazer. O problema não é a “igreja”, mas quem você pode se tornar nela. Se preciso, saia!

Esse convite, alerto, não é para os irresponsáveis. A cobrança da própria consciência é bem mais difícil de suportar que as cobranças impostas pelas normas da religião. Isso eu experimento todo dia! E quem gosta de irresponsabilidade normalmente tem mais estômago pra religião.

8 respostas em “Se preciso, saia!

  1. é realmente estranho… rsdiferente…eu acho que nunca cheguei a te fazer essa pergunta…até por que te conheço bem de antes dessa ‘revolta’ toda… kkkkkkkkkmas vc sabe como respeito seu posicionamento e concordo com muitos dos seus pontos de vista…e cá fico eu… bem… esperando pra voltar pra igrejaem Brasília… xPabraço grande…e não esqueça… ‘olhando pras estrelas…” xD

  2. Pra milhões, digo milhões sem medo de errar, esse texto faz todo sentido, pessoas que viveram momentos preciosos na religião mas acabaram por quase serem mortos por ela, antes de morreram saíram, são os sem religião graças a Deus. Parabéns sempre!

    Abraços desde São Paulo – SP

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