Rótulos

Conversava sobre teologia com dois conhecidos católicos. Inevitável foi, numa certa altura do bate-papo, que surgisse a tão recorrente pergunta, apresentada num misto de inquérito e afirmação.

– Você não é católico?
– Não.
– Então você é evangélico!?
– Não, não sou evangélico.
– Você tem religião?
– Não.
– Então você é um sem-religião?
– Provavelmente sim. É, acho que sou.
– Você acredita que o homem pode crer em Deus exclusivamente através da razão e é contra a revelação?
– Não. Eu creio em revelação!
– Ah, então você não é sem-religião! Os sem-religião acreditam que %$%%@**@**. Também acham que @**@**%$%%@**@**. Inclusive, para eles, a %$%%@**@**%$%%@**@**.

Enquanto isso, esforço-me para ficar calado, mantenho um meio-sorriso no rosto e minha mente comenta comigo mesmo: quanta idiotice sou obrigado a ouvir. Haja paciência!

Quando, enfim, termina a explicação, arremato:

– Ok. Não sou sem-religião, mas não tenho religião.

Fim de conversa e começo a pensar. Por que o ser humano precisa tanto de rótulos? Eu não preciso e nem sequer gosto deles. Rótulos me enojam.

E eu que pensava – preconceituosamente, assumo – que esse tipo de discussão/explanação fosse privilégio dos evangélicos. Esqueci-me que isso tem a ver com o fanatismo e não apenas com a religião.

O vício é sempre prejudicial – seja pelo que for. Eu não gosto de religião, mas gosto de beber. Se passar da conta, corro o risco de tornar-me dependente, um alcoólatra. Bêbados são chatos!

Assim como chatos também são os religiosos fanáticos. Por isso, se você gosta de religião [e não gosta de cerveja. Ou gosta… tanto faz] cuide-se também para não ficar chato. Álcool demais faz mal! E religião demais surta…

4 respostas em “Rótulos

  1. Pode ser que não tenha “religião”, no sentido que damos a palavra, mas não um sem crença. Posso dizer pessoalmente que poucos tem a fé e conhecimento acerca dos ensinamentos divinos como você. Gostei muito da forma de se expressar contra o fanatismo religioso. Mais uma bela crônica amore mio. Beijos

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